segunda-feira, 2 de julho de 2012

A dor do mundo ou a interioridade do artista



Eu sinto toda a dor e decadência do mundo em mim,
Como uma sucessão de desejos que não cessam e não tem fim.
E a existência de Deus já não habita e nem mora aqui,
Foi abortada como os olhos que padecem mesmo antes de abrir.


Sonhos, fé, amor e esperança já cometeram suicídio,
E a minha interioridade já se cansou de martírios e suplícios.
Os humanos indiferentes não se entregam, relutam as paixões;
 Nem percebem que dilaceram diariamente, suas almas, espíritos e corações.


Promover um mergulho interno exige não ter medo da solidão,
Mas é bem mais fácil sermos racionais do que dançarmos ao compasso do coração.


A própria Vida define-se como um teatro do absurdo,
Pois muitos "vivem" como cegos, surdos e mudos.
Renegam os artistas que adormecem no querer,
Sentem a dor do mundo nas entranhas, mas não assumem, preferem esquecer,


Que podemos modelar o Destino,
Recriando o Universo com um simples olhar,
É exatamente isso que faz o artista: apresenta o Belo pra não se cansar,
Desse marasmo que é a vida quando não resolvemos sair do lugar,
A mudança é a única permanência que não devemos deixar escapar.


Acordem pintores, atores, músicos, dançarinos e artesãos!
Acordem! Deem forma à vida, não a deixe desforme não.
Pois a morte não pede licença, não avisa e nem pede perdão.



2 comentários:

  1. Querido Zé Luis, fico feliz de saber que concluiu seu blog. Agora, seus amigos e interessados terão o prazer em compartilhar os pensamentos desse seu lado "Romantico niilista". Sei que você desconfia de meus elogios, mas pelo pouco que te conheço e diante do que já li, não posso fazer outra coisa senão parabenizá-lo por tamanha sensibilidade e talento que tens no momento de descrever seus anseios e reflexões acerca da vida.

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    1. Maria, minha companheira de curso e vida, fico feliz que um espírito sensível e inquieto como o seu tenha gostado dos meus escritos. Acredito que o exercício da escrita, seja ele filosófico ou poético, é uma maneira de exercitarmos a nossa subjetividade. Obrigado pelos comentários sempre elogiosos.

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