quarta-feira, 14 de março de 2012

Eu sou o Ser da Questão?


Provavelmente você, que resolveu visitar o meu blog,  espera que eu apresente uma descrição; uma percepção, um olhar sobre mim. Como explicar uma existência inteira que, às vezes, não faz sentido nem para aquele que viveu e ainda não feneceu? O poeta pode falar da poesia que não escreveu? A mãe pode amar o filho que não nasceu? O pintor pode usar da tinha que não conheceu? A vida nem sempre segue a métrica da rima. A história quase nunca é linear. E se a consciência humana simultaneamente dançar com o imaginário e o real,  misturando-se entre o que a memória guardou e esqueceu com que propriedade posso afirmar aquilo que sou Eu? Desconfio que sei aquilo que não sou. E mesmo que soubesse que diferença faria? A vida do autor determina a beleza obra? Ou a exuberância da arte mata a individualidade do artista? Poderia dizer que sou um romântico niilista que se depara com o absurdo da existência, e procura nas Belas Artes e na filosofia um acalanto para alma, que contempla o mundo desprendendo-se das contingencias. Por isso apresento meus devaneios mentais fugindo de qualquer descrição, pois esta última palavra rima com conclusão. E  o único ponto final dessa oração é morrer! Mas, enquanto o tempo não abocanha a finitude, vou preenchendo esse vazio com aquilo que me faz sentir viver. Pois, com ou sem transcendência, não é isso que viemos aqui fazer?  

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