Provavelmente você, que
resolveu visitar o meu blog, espera que eu
apresente uma descrição; uma percepção, um olhar sobre mim. Como explicar uma
existência inteira que, às vezes, não faz sentido nem para aquele que viveu e ainda não feneceu? O poeta pode falar da poesia que não escreveu? A mãe pode
amar o filho que não nasceu? O pintor pode usar da tinha que não conheceu? A
vida nem sempre segue a métrica da rima. A história quase nunca é linear. E se
a consciência humana simultaneamente dançar com o imaginário e o real,
misturando-se entre o que a memória guardou e esqueceu com que
propriedade posso afirmar aquilo que sou Eu? Desconfio que sei aquilo que não
sou. E mesmo que soubesse que diferença faria? A vida do autor determina a
beleza obra? Ou a exuberância da arte mata a individualidade do artista? Poderia
dizer que sou um romântico niilista que se depara com o absurdo da existência,
e procura nas Belas Artes e na filosofia um acalanto para alma, que contempla o mundo desprendendo-se das
contingencias. Por isso apresento meus devaneios mentais fugindo de qualquer descrição,
pois esta última palavra rima com conclusão. E
o único ponto final dessa oração é morrer! Mas, enquanto o tempo não
abocanha a finitude, vou preenchendo esse vazio com aquilo que me faz sentir
viver. Pois, com ou sem transcendência, não é isso que viemos aqui fazer?

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